Os componentes que o capítulo demonstra em operação. Vale reparar na linha
de anonimização, que evoluiu em três gerações e cuja progressão é, por si
só, uma lição de projeto de ferramenta de segurança: a primeira estabeleceu
a abordagem híbrida, a segunda corrigiu a fragilidade criptográfica e a
terceira reprojetou a arquitetura para escala.
Ferramenta
Pseudonimização escalável e executada no próprio ambiente. Pipeline de
cinco estágios: leitura em fluxo contínuo de XML, JSON, CSV, PDF, DOCX
e XLSX; detecção de entidades combinando um modelo de NER com 36
padrões de expressões regulares; substituição por HMAC-SHA256;
persistência do mapeamento em SQLite; e saída preservando o esquema
original.
No minicurso: é a ferramenta demonstrada no Tempo 1 da
Prática 1. A estratégia de detecção é selecionável por linha de comando
e troca cobertura por custo de processamento; a base do capítulo usa a
standalone. A aceleração é superior a 535 vezes frente à
geração anterior, sobre o mesmo conjunto e o mesmo hardware, em execução
exclusivamente por CPU: o ganho é arquitetural, e não dependente
de GPU.
Ferramenta
Segunda geração da linha. Substitui o hash público por HMAC-SHA256 com
chave secreta definida pelo operador, estende o processamento a
formatos estruturados com preservação de esquema, e incorpora OCR para
texto embutido em imagens e PDFs.
No minicurso: explica por que a chave secreta importa.
Sem ela, o adversário reproduz o mapeamento conhecendo apenas o
algoritmo e o domínio de entrada, o que torna trivial reverter
pseudônimos de espaços pequenos como o de endereços IPv4.
Ferramenta
Primeira geração, que estabeleceu a abordagem híbrida: reconhecimento
de entidades nomeadas para o que não tem padrão sintático fixo, como
nomes de pessoas e de organizações, e expressões regulares para
artefatos de formato determinado, como IPs, e-mails, URLs e
identificadores CVE.
No minicurso: é o módulo de anonimização do ecossistema
GT-LFI, com recall de 97,38% sobre 763 incidentes reais. Introduziu a
reidentificação controlada, com trilha de auditoria.
Ferramenta
Núcleo de inteligência do ecossistema GT-LFI, com interface Web. Oferece
cinco funcionalidades: classificação automática em categorias e
subcategorias; sugestão de ações de contenção; geração de playbooks em
Markdown e em Ansible; ciclo com humano no laço; e consulta a
incidentes similares.
No minicurso: é a ferramenta central das partes práticas
2 e 3. A camada de inteligência é abstraída por um SDK, o que permite
alternar entre modelos conforme o requisito de privacidade, e o retorno
das validações humanas é incorporado ao conhecimento do sistema.
Ferramenta
Implementação de referência das estratégias de prompting avaliadas no
capítulo. Escrita em Python, recebe tickets pseudonimizados, monta o
prompt conforme o cenário escolhido (com ou sem taxonomia, com ou sem
heurística iterativa), envia às APIs dos modelos configurados e exporta
os resultados em CSV, XLSX ou JSON.
No minicurso: sustenta o experimento de quatro cenários
sobre 194 incidentes que mostra o ganho de combinar taxonomia
estruturada com heurística iterativa. Foi posteriormente incorporada ao
AutoClass-LFI.
Ferramenta
Evolução do SecLINC. Generaliza o mecanismo para cinco técnicas de
engenharia de prompts e adiciona suporte à execução local via Ollama.
No minicurso: é a base dos experimentos com modelos de
pesos abertos executados no próprio ambiente, que quantificam o custo
de acurácia da opção pela privacidade.
Projeto
Learn From Incidents, projeto do programa Hackers do Bem da RNP. Integra
quatro módulos em um ciclo único: o ANON-LFI pseudonimiza; o
AutoClass-LFI classifica e recomenda; o Módulo PoP submete o resultado à
análise de estagiários e à validação de analistas experientes; e a
plataforma educacional converte os incidentes validados em trilhas,
lições, quizzes e desafios.
No minicurso: é a moldura operacional e pedagógica de todo
o capítulo. Foi ele que converteu o ciclo operacional em ciclo
pedagógico, fechando o laço entre operação e formação.
Ferramenta
Ambiente operacional de triagem e validação do ecossistema GT-LFI.
Oferece aos estagiários uma interface na qual os incidentes aparecem
com os rótulos sugeridos pela IA para análise crítica, e aos analistas
experientes uma visão consolidada com taxa de concordância entre humano
e IA, histórico de decisões e priorização.
No minicurso: é onde a validação humana deixa de ser
discurso e vira mecanismo. Ele posiciona a validação
entre a classificação e a geração do playbook, e não
apenas ao final, justamente porque uma classificação equivocada produz
um playbook corretamente gerado para a categoria errada.
Plataforma
Plataforma de gamificação baseada em IA voltada ao ensino e à
aprendizagem em segurança. Converte os incidentes já validados em
trilhas, lições, quizzes e desafios.
No minicurso: é o elo que fecha o ciclo entre operação e
formação. Na avaliação com 35 residentes, a taxa média de acerto entre
pré-teste e pós-teste subiu de 67,9% para 91,7%. A trilha de
classificação de incidentes foi a mais difícil, com o menor escore
médio, o que dialoga diretamente com os limites observados nos modelos
automáticos.
Ferramenta
Gerador de tickets sintéticos de segurança, do ecossistema GT-LFI.
No minicurso: endereça a segunda estratégia de mitigação
da escassez de dados. As duas são complementares, e não concorrentes:
dados pseudonimizados podem alimentar modelos que produzem conjuntos
sintéticos publicáveis. A equipe do GT-LFI registra a construção de uma
base sintética de incidentes como prioridade para os próximos ciclos.
Plataforma
Plataforma gamificada de simulação de SOC, voltada a treinamento em
caça a ameaças e a educação em resposta a incidentes, desenvolvida em
parceria com a RNP. A arquitetura é caracterizada como um ambiente do
tipo SIEM, o que permite reproduzir de forma controlada as condições de
trabalho de um analista.
No minicurso: complementa o ecossistema GT-LFI ao oferecer
o ambiente de simulação que as trilhas de formação pressupõem.
Repositório
Contém os cinco notebooks Python, que cobrem os três estudos de caso e se
encadeiam pelas saídas de cada prática; o conjunto de tickets sintéticos
usados nas demonstrações; os prompts de referência; cinco procedimentos
operacionais padrão em dados/pops/; e as instruções de
instalação.
No minicurso: é o complemento executável do capítulo.
Os notebooks são auto-contidos, não dependem de acesso às ferramentas
internas do grupo e executam sem GPU e sem credenciais de API. O código está
sob licença MIT; os textos, os dados sintéticos e o material didático,
sob CC BY 4.0.
Texto
O texto integral do Capítulo 1, em português, com 50 páginas: os
fundamentos normativos, a revisão da literatura organizada por
categoria de aplicação, os três estudos de caso e as conclusões.
No minicurso: é a fonte de tudo o que este site
resume. O capítulo explica o porquê; o repositório mostra o como, de
forma executável. A versão aqui disponível é a dos autores, anterior
à publicação oficial pela SBC.